a noite é dos poetas das putas e dos que morrem de amor

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nove do ódio que desatino
pela minha entrega brusca
de mim mesma
a seu sorriso matutino

três pelo meu sono
que sonha junto ao teu
em lençois púrpura
e adoece pelo abandono

dois em homenagem ao riso
ao meu ao teu ao dos nossos frutos
se livre e desempedido
e da nossa felicidade poiso

cinco ao seu encanto
que é das explosões
a minha favorita
nos orbes escuros meu recanto

dez pelo cheiro doce
que me trazes nas segundas terças
quartas quintas sextas
que em meu peito faz alvoroce

mais dez em minhas mãos dadas
enlaçadas a suas
medrosas de sua fuga
e como nossas vidas: atadas

— minha febre é de 39, Anna Moura.
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